DL — David Letterman / DC — Diablo Cody
DL — Parapapapa, aqui vamos nós! Nossa próxima convidada é a autora de uma autobiografia muito divertida, chamada Minha vida de stripper. Está no Dave’s Book Club, aliás, se você procurar nas livrarias. Por favor, vaiem a autora, Diablo Cody!
(Diablo entra.)
DL — Por favor, sente-se aqui. Eu não consigo dizer o quanto gostei do livro.
DC — Obrigada.
DL — E... eu tenho um monte de perguntas para você.
DC — É uma honra estar no Dave’s Book Club.
DL — Bom, você é a primeira do mundo do entretenimento e provavelmente a única este ano. A menos que, e eu tenho certeza disso, você escreva um segundo volume. Então, o negócio é o seguinte: você passava seus dias trabalhando numa agência de publicidade, digitando o trabalho que lhe cabia, e você pensou consigo mesma que estava insatisfeita e que devia ter algo a mais no mundo para você. Aí, foi para essa espécie de clube de strip de quinta categoria para se inscrever na noite das amadoras.
DC — Exatamente. Sabe, sou apenas uma nerd suburbana e protegida. Estava trabalhando como digitadora e um dia, mexendo nos papéis, olhei para baixo e pensei: “Meu Deus, isso é um saco, eu preferia estar nua.” E aí... fui a essa noite amadora — e consegui achar o clube mais nojento que consegui, porque, você sabe... “Vai fundo ou volte para casa”, esse é o meu lema. E tive uma noite maravilhosa, então...
DL — Um monte de gente, sabe, quando está de saco cheio do trabalho pensa: “Meu Deus, eu preferia estar jogando golfe, eu preferia estar velejando, eu preferia estar jogando tênis”, mas você diz que preferia estar nua.
DC — Sim.
DL — É essa a essência desse projeto? Tem algo em ficar nua que...
DC — Esse era o objetivo. Sabe, sempre me interessei por essa sociedade marginal, desprezada, e simplesmente pensei: “Essa é a melhor forma de explorá-la, e, se eu puder fazer isso sem calcinha, tanto melhor.” É isso...
(Palmas. Risos.)
DL — Então você foi ao clube e, se não me engano, não parece ter nenhum teste para a noite das amadoras, não é?
DC — Eles não são muito seletivos, nem um pouco. Eu basicamente entrei, eles revistaram minha bolsa e eu estava pronta para subir no palco.
DL — Pronta pra ação. E o que você podia fazer no clube de Minneapolis? Era Minneapolis? Quais eram as regras?
DC — Sim! Sabe, Minneapolis pode ser surpreendentemente dura! Hmmm... há clubes masculinos que são tipo um cabaré com garotas de topless, e lá você faz lap dances, o que é, sabe, meio obsceno, meio divertido, mas nada que valha a pena escrever a respeito. Mas, se você vai a um desses bares com refrigerante em que se fica completamente nua, onde eles não vendem bebidas alcoólicas, você faz danças de cama...
DL — Peraí, eu nunca ouvi falar de um bar de refrigerantes com garotas nuas, o que...
DC — Tem alguma lei em Minneapolis que diz que você não pode, hmm, ficar pelada e vender álcool ao mesmo tempo, então os caras bebem Pepsis de oito dólares e você fica circulando ao redor deles pelada. É um ambiente muito estranho, hmmm...
DL — Então, se você não vender álcool, as mulheres podem ficar nuas lá?
DC — Isso.
DL — Mas, se você vender álcool, eles têm que ter um...
DC — Só topless. É. O que não é divertido.
(risos.)
DC — Desculpa.
DL — Deixe eu te fazer uma pergunta direta. Um cara... você sabe por que os homens vão lá. Porque eles gostam de um certo nível de... de... estímulo. E, para as mulheres que trabalham lá, é só um emprego ou há alguma, hmmm... diversão?
DC — Sabe, acho que para a maioria das mulheres ali aquilo é só uma questão de sobrevivência, de subsistência, mas para mim era diversão, sabe, rebeldia. Eu me divertia muito com aquilo.
DL — Hmm, e você fala dessas lap dances em um clube onde você ficava nua, certo? E havia danças de cama. Conte para a gente o que é uma dança de cama.
DC — É horrível, é assim que é. Basicamente, você ganha sessenta dólares para ir com um homem a uma espécie de quarto falso, que fica no segundo andar do clube, isolado de todo o resto, e você basicamente simula uma relação sexual com o cara. E eu me lembro de pensar: “Sessenta dólares, o clube fica com 21, porque o clube tira essa comissão enorme, então são 39 dólares para simular sexo com um cara. É uma pechincha.” Sabe, eu estava começando a me sentir um artigo em liquidação. Mas tudo bem, estava tranqüila em sofrer as penas daquelas mulheres.
DL — Deixe-me fazer uma pergunta técnica e legal: o cara está te pagando e você está pelada em cima dele e vocês estão fingindo fazer sexo. E um de vocês provavelmente está fingindo. Quem está fingindo?
DC — Bem, no meu caso, os caras provavelmente fingiam estar gostando.
DL — Os caras, não... Os caras estavam gostando.
DC — É o que se espera.
DL — Mas isso é prostituição?
DC — Sabe, acho que, de certa forma, tudo é prostituição. Quero dizer, quando você está trocando algum tipo de estímulo sexual por dinheiro, acho que é prostituição. É uma pergunta pesada, sabe, vamos deixar para mais tarde...
DL — Como isso se coordena com a sua idéia de só se divertir?
DC — Eu estava só me divertindo.
DL — Mas você já se pegou pensando: “Esse não é o tipo de diversão que eu achei que ia ter”?
DC — Houve vezes em que me vi de relance num espelho esfumaçado sobre a cama e pensei: “Argh, isso é meio nojento...”
DL — Sim...
DC — Sabe, minha mãe ia fazer uma cara de nojo se soubesse, mas eu superei bem rápido.
DL — Eu ia te perguntar isso. Como você superou? Era simplesmente mais divertido que preocupante?
DC — Para mim, era simplesmente uma aventura. Como eu disse, sempre fui uma nerd, sempre fui protegida, sabe, vim dessa boa criação católica. Para mim, era como antropologia, era como ser uma Margaret Mead nua.
DL — Margaret Mead... Hmmm... Que tipo de clientes você conheceu lá?
DC — Todos os tipos. O piores clientes de clubes de strip são os caras que ficam lá o dia todo, todos os dias. São completos viciados em clubes de strip porque são totalmente embotados, e você não consegue fazer nada para agradá-los. Um exército de clones da Jessica Alba poderia entrar, e esses caras nem ligariam. Simplesmente não há nada que você possa fazer. Os melhores são os caras entusiasmados que estão tão excitados por estarem em um clube de strip que ficam tremendo, você consegue sentir o cheiro do medo deles. Sabe, é muito legal, eu poderia comer esses caras vivos!
DL — Mas é...
DC — Uau...
DL — Você gostava dos clientes?
DC — De alguns deles. Me dava bem com alguns, e havia outros que eram uns pães-duros desagradáveis.
DL — Senti em algumas partes do livro, em algumas descrições, que alguns clientes são desprezados pelas mulheres que trabalham nesses clubes. É isso mesmo?
DC — Sim, alguns. Você tem que chegar e tratar bem as garotas, tem que coçar o bolso e ser simpático. Sabe, se você chega com uma atitude de superioridade ou começa a bancar o moralista, ou chega achando que vai salvar alguém, você é um babaca.
DL — Você sente falta do strip?
DC — Muita. Se esse negócio de escrever não der certo, volto correndo pro poste.
(Palmas. Risos.)
DL — E... É isso mesmo? Você se casou com seu namorado, agora ele é seu marido.
DC — Casei, ele é maravilhoso.
DL — E ele apoiava totalmente o projeto?
DC — Totalmente. Era divertido para ele também... hmmm... ele é meio dark como eu, então, para ele, era tipo: “Uau, minha namorada é stripper!” Ele estava deslumbrado, quero dizer, era intenso na hora de fazer sexo...
DL — E a sua família, na época, eles não sabiam que você era stripper?
DC — Não na época. Na verdade, não contei a eles até que descobri que iam publicar o livro.
DL — E agora que eles leram o livro, o que eles acham disso?
DC — Minha mãe ficou completamente chocada; meu pai, que é uma pessoa muito pragmática, só disse: “Hmm, você recebeu adiantado?”
DL — E posso te perguntar sobre o nome? É seu nome de verdade?
DC — Não. Meu nome verdadeiro é Brook, que não é nada heavy metal nem maneiro, então me livrei dele rapidinho.
DL — Entendo... Esta é... Diablo Cody. E você disse que, se não der certo, volta pro poste. (Palmas.) Muito divertido. É muito informativo sobre o tipo de coisa que sempre quis saber, é perspicaz e muito engraçado. Você tem um jeito muito divertido de escrever. Chama-se Minha vida de stripper. Diablo Cody. Muito obrigado.
DC — Obrigada, foi fantástico.
DL — Já voltamos, pessoal!
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